As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) reconheceram publicamente que baixar os preços dos bilhetes de avião não será uma tarefa imediata. A transportadora nacional, que desempenha um papel essencial na aviação em Moçambique, argumenta que a descida dependerá da melhoria das contas da empresa e da redução de custos operacionais.

Durante uma conferência de imprensa, que contou com os três principais acionistas — Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB) e o Estado moçambicano — ficou claro que a situação financeira continua frágil.

A companhia foi recentemente multada pela Autoridade Reguladora da Concorrência (ARC) em mais de 11 milhões de meticais, por alegada subfaturação de passagens aéreas desde 2021.

Receita em crescimento e redução de custos

Segundo Agostinho Langa Júnior, PCA dos CFM, a transportadora não ignora as críticas dos passageiros que consideram os preços demasiado elevados. O responsável explicou que a redução só poderá ser alcançada com:

  • renegociação de contratos com fornecedores de combustível,

  • cortes nas despesas de catering,

  • diminuição de comissões pagas a agências de viagens,

  • racionalização da força de trabalho.

De maio até agosto, a faturação mensal cresceu de 9 milhões para 12 milhões de dólares, garantindo maior capacidade para pagar fornecedores estratégicos e manter aeronaves alugadas em funcionamento. O modelo de Wet Lease, amplamente utilizado na indústria, deixou de ser um problema imediato.

Frota, rumores e expansão

A companhia esclareceu também os rumores sobre falhas técnicas no avião Q400, salientando que as avarias foram pontuais. Atualmente, a LAM opera com cinco aeronaves, sendo quatro alugadas.

O plano estratégico prevê a aquisição de seis aviões próprios até dezembro, o que permitirá ampliar a rede de voos domésticos e internacionais. Essa expansão poderá reforçar o setor do turismo em Moçambique e melhorar a mobilidade para destinos como o Arquipélago de Bazaruto, a Ilha de Moçambique e o Parque Nacional da Gorongosa.

Dívidas herdadas e perspetivas

De acordo com Tomas Matola, PCA da HCB, muitas dívidas críticas com fornecedores internacionais, como a Rolls-Royce (responsável pela manutenção de motores da Embraer) e a própria IATA, já foram renegociadas. Essa recuperação de confiança é vista como um passo fundamental para a sustentabilidade da empresa.

Apesar das limitações, os acionistas acreditam que a LAM pode recuperar a credibilidade e contribuir para o desenvolvimento do transporte aéreo nacional, que é vital para o crescimento económico e turístico do país.

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